12/06/2026
Quando a terra tremer...
Em março deste ano, bati à porta de várias câmaras municipais aqui da zona. Não fui pedir dinheiro. Não fui pedir subsídios para criar um clube de ténis subaquático ou de bilhar nas nuvens.
Fui apenas pedir um espaço, um terreno que estivesse parado, para fazer uma coisa básica: treinar cães de busca e salvamento. Para criar cenários o mais parecidos possível com a realidade de um sismo.Tudo isto à borla. Trabalho 100% voluntário. Onosso tempo, o nosso conhecimento e o nosso suor.
Para ajudar quem?
Todos os voluntários, inclusive os bombeiros, que são quem nos deita a mão a todos quando a casa vai abaixo.
A resposta das câmaras?
O habitual "empurrar com a barriga"
De todos os municípios que contactei, a grande maioria ignorou. Apenas um me recebeu numa reunião. E qual foi a resposta final sobre o local que pedi?
"É um caso complicado. Temos o seu contacto e, se mudar alguma coisa, ligamos."
Todos nós sabemos perfeitamente o que significa este politicamente correto. É um "não" disfarçado de promessa. Mas, ao menos, estes deram a cara para responder. Dos outros, nem sinal.
É esta a triste realidade: tratar a segurança como "um caso complicado"
Andar a saltar vedações para salvar vidas...
Sabem o que é o nosso dia a dia?
É uma frustração que não queiram saber. Para conseguirmos treinar, temos de:
Andar a arriscar entrar em propriedades privadas ou públicas.
Treinar sempre com o coração nas mãos, com a incerteza constante se nos vamos meter em problemas ou ter alguém à perna.
Depender da boleia de pessoas generosas que se cruzam connosco e nos abrem as portas de pequenos nichos de escombros que têm nas propriedades delas.
Os cidadãos comuns ajudam-nos. O poder local sacode a água do capote.
A pergunta que ninguém quer fazer
Quando o chão tremer a sério em Portugal ? — e todos sabemos que um dia vai acontecer —, os políticos vão ser os primeiros a aparecer na televisão a lamentar as mortes e a pedir pressa às equipas de resgate. Mas hoje, que estamos aqui prontos para dar o litro e treinar para nos preparar quando o pior chegar, fecham-nos a porta ou dizem que "é complicado". A segurança da nossa gente não devia ser tratada como um assunto para a gaveta.
Nós não vamos parar.
Eu irei continuar a treinar sempre que me for possível, e as restantes equipas de voluntários também.
Temos muito trabalho para fazer... E será feito, com ou sem ajuda, irei continuar a arriscar, pois tem de ser..
Desculpem este desabafo, mas a paciência também tem limites.
Quanto aos senhores das câmaras municipais... façam um favor a vocês próprios e vão ver os vossos e-mails. Se lá estiver uma mensagem da Guardião, abram-na, pelo menos isso...
Obrigado a todos os que nos apoiam!!!