22/09/2026
Há sabores que nos fixam na memória e onde gostamos de voltar. Felizmente tenho muitos. Os Gelados Santini eram um deles. Os gelados eram muito bons e bem servidos. De excursões familiares a visitas (quase) pecaminosas a solo, tudo fiz aqui. Veio a expansão mas a qualidade, o mais importante e a quantidade mantiveram-se e a marca deixou de estar circunscrita à “linha” ( Cascais). Mas a vida dá tantas voltas quando o mundo e, aproveitando que momentaneamente estava de volta “à terra” ( sim, sou um ET) trouxe umas das minhas filhas a comer um pouco de memória, apenas para ficar desiludido com o resultado. Sim, a qualidade, o mais importante, mantém-se, mas, como diz o ditado, “os olhos também comem” e ter esta pífia amostra de gelado nas mãos faz-me pensar, não em memórias felizes e em sítios onde gosto de retornar, em sítios que me remetem à adolescência, mas em ganância corporativa. Em como alguém, algures, cujo trabalho é “contar feijões” não percebe que, tal como numa boa feijoada, não se deve contar o número de feijões com que se faz a mesma e que todo o que seja menos que um “prato” cheio vai deixar quem a comer com uma sensação de vazio emocional, na mesma proporção do espaço que sobra. Um gelado é isso mesmo, uma viagem e quer-se preenchida. Queremos ver o gelado a transbordar do copo, do cobre, da caixa e duvidar se vamos conseguir “dar cabo dele”, ou de pensar na corrida que vamos fazer contra a temperatura e o degelo local! Não pensar que temos ali um “pastel de nata” que, em duas dentadas (lambidelas), acabamos com tudo. 😓