01/05/2026
Amar é cuidar… mesmo nas fraquezas e nas fragilidades.
Ontem, a minha cadela Mel partiu deste mundo e encontrou descanso. Descanso: uma palavra tão simples, mas tão profunda, que traduz a calma silenciosa que a morte traz, como se a vida sussurrasse: “Está na hora de repousar.”
Passei a noite e parte da manhã com ela, segurando-a, acariciando-a, oferecendo todo o conforto que o meu coração podia dar. Ela adormeceu várias vezes no meu colo, como um bebé entregue à paz. Nesse instante, senti o amor na sua forma mais pura: estar presente até ao último sopro, até ao momento em que a vida precisava ser libertada com delicadeza.
A Mel teve de ser eutasiada, e mesmo nesse gesto, senti a ternura do cuidado final — do veterinário, mas sobretudo do coração que se despede com respeito e amor.
Ela ensinou-me que o amor não se mede em palavras, mas em gestos silenciosos, no toque suave, na paciência que se oferece sem esperar nada em troca. Ontem, na clínica, com o seu corpo a descansar no meu colo, compreendi que a morte não é um fim absoluto: o corpo se ausenta, mas a memória, o olhar, a presença e o amor permanecem.
As lágrimas escorreram sem parar pelo meu rosto, não apenas de tristeza, mas de um amor profundo que se despede sem tentar reter.
Amar é também permitir que outro descanse quando a sua hora chega. A morte, mesmo quando assistida com coragem e compaixão, é um rito que nos ensina entrega e gratidão.
Com a Mel, vivi o amor e a morte como partes de um mesmo ciclo sagrado. Ao entregar o seu corpo à Casa dos Animais de Lisboa, de onde a fui buscar há onze anos, um ciclo se fechou e, senti o coração cheio de gratidão: por cada passo ao seu lado, por cada olhar silencioso, por cada momento que a vida nos permitiu partilhar. Ela partiu, mas o amor que cultivámos é eterno, e cada lembrança tornou-se uma estrela que brilhará no meu céu para sempre.
Carolina Sousa