03/05/2026
Marco I - M Seguidores
Reflexão
Ultrapassar este Marco I - M Seguidores não é ap***s um indicador de crescimento, é, sobretudo, um ponto de reflexão.
Hoje é um dia especial que merece ser partilhado com cada seguidor desta página virtual dedicada ao meu projeto ornitológico de longo prazo de criação, coleção e desenvolvimento de estrildídeos do género taxonómico Lonchura e posso dizer que já ultrapassou os mil seguidores, e como tal ultrapassou também o Marco I - M seguidores. Um número que, mais do que estatística, representa pessoas que valorizam, acompanham e partilham esta paixão pela ornitologia desportiva, em especial pela criação de Lonchuras.
Atingi este Marco I - M Seguidores em ap***s 2 anos e alguns meses, a altura em que comecei com este Projeto foi em 2023, o que demonstra que o meu trabalho tem sido bem aceite pela comunidade ornitológica, apesar de, como é óbvio, para mim, o meu trabalho não depender de validação externa. Nunca promovi publicações e nunca paguei para divulgar a página. Foi tudo feito de forma natural e sem pressa.
Quero deixar-lhe um especial agradecimento a si, que comenta, que envia mensagens, que aprende comigo e também a quem me ensina, porque esta parte é muito importante porque quem já sabe "tudo", já não aprende nada e o pior é que não permite que nada lhe seja ensinado, eu pessoalmente gosto de aprender e opto por continuar a aprender, acrescentando sempre alguma coisa àquilo que já sei.
Não publico conteúdo diariamente, porque considero que não há necessidade de o fazer, publico quando entendo que devo publicar e publico o que entendo que devo publicar.
Na ornitologia desportiva, e em particular na criação de Lonchura's, os números só têm verdadeiro valor quando estão associados a consistência, método e evolução técnica. Cada seguidor representa alguém interessado em aprender, partilhar ou simplesmente acompanhar um trabalho que exige observação rigorosa, seleção criteriosa e um compromisso contínuo com o bem-estar das aves.
Este marco reforça a responsabilidade de manter uma abordagem séria e fundamentada: desde o controlo reprodutivo à gestão de linhagens, passando pela nutrição, sanidade e adaptação às condições de cativeiro.
Mais do que mostrar resultados, importa explicar processos, documentar decisões e contribuir para uma comunidade mais informada e exigente, porque o "orgulhosamente sós" nunca funcionava, nunca funcionou, nunca funciona e nunca funcionará, precisamente porque se baseia na cultura do individualismo e isso é profundamente errado e antagónico ao sucesso.
Este projeto começou com dedicação e gosto pelas aves, e cresce todos os dias devido ao seu apoio.
Continuarei a trabalhar com seriedade, partilhando conhecimento, experiências e a evolução das minhas criações, sempre com respeito pelas aves e pela criação.
Volto a insistir nisto, algo que muitos ainda não perceberam. Este é ap***s o primeiro de muitos marcos, mas para mim, este marco continua a ser ap***s um número, porque o que interessa é o trabalho desenvolvido e a homogeneidade do plantel avícola com heterogeneidade de características e isso não se vê em números nem em exposições, nem em medalhas, isso vale o que vale e não diz nada acerca de um criador. E por isso mesmo, precisamente por muitos não entenderem isto, dificilmente voltarei a expor aves em Portugal e Espanha, com algumas exceções. Certamente irei expor nos contextos mais competitivos da ornitologia mundial, nos países onde estão os melhores criadores mundiais das espécies e subespécies a que eu me dedico e lá sim, ser premiado diz alguma coisa, a competitividade, a exigência... Lá, os juízes não sobrevalorizam determinados parâmetros de avaliação em relação a outros, valem todos o mesmo, com pontuação diferente claro. Lá, é impensável ganharem aves que nem sequer têm qualidade para serem expostas, mas em Portugal e Espanha isso acontece e é precisamente por isso que continuam a ser dois países "pequeninos" na ornitologia mundial. Lá, só estão no pódio aves com qualidade para tal. Estar entre os melhores como já estive neste último mundial na Bélgica, isso sim diz alguma coisa. É assim que eu gosto de competir ao nível dos melhores e com a competitividade e exigência ao máximo, pois é assim que se obtêm resultados excelentes. Neste Mundial da Bélgica, as minhas aves tiveram exatamente a mesma pontuação do que duas das três aves daquele que é um dos melhores criadores mundiais de Bengalins, o mestre Emiel Debrier e como tal, apesar de não ter conquistado lugares do pódio não poderia estar mais orgulhoso da prestação e da qualidade das minhas aves. Destaco também a competitividade nesta classe que contou com a presença de 15 criadores à exceção de mim, a maioria deles com mais do que uma ave. Quando uma ave que obtém 91 pontos não está no pódio e posiciona-se no 4º lugar, significa que a qualidade das aves do pódio é muito elevada e que a pontuação destas mesmas aves foi até 94 pontos, podendo chegar a 95 pontos como tem sido habitual e, portanto, estou satisfeito com a prestação das minhas aves. Sabendo eu que ainda não estou na minha máxima força em termos de plantel, relativamente à variabilidade genética e fenotípica.
Não contem comigo para levar aves a exposições a pedido ou só para satisfazer os interesses de alguns, tal como já me tentaram fazer anteriormente. As minhas aves não são nenhum produto comercial e merecem respeito tal como todas as outras e o que outros também deveriam fazer. E isto é inaceitável, e não vale a pena alguns encetarem lamentações, porque enquanto houver interesseiros e interessados, a cultura dos interesses nunca acaba.
Mais do que um crescimento numérico, este marco representa a consolidação de um espaço onde o conhecimento técnico, a observação sistemática e a experiência prática se cruzam diariamente. Na criação de Lonchura's, não existem resultados consistentes sem método. Cada acasalamento não é ap***s uma decisão estética ou intuitiva, mas sim o resultado de uma análise profunda: genótipo, fenótipo, comportamento, histórico reprodutivo, compreensão das bases genéticas envolvidas...
A evolução neste tipo de criação exige uma abordagem cumulativa. Aprende-se com cada postura, com cada falha de incubação, com cada exemplar que não atinge o padrão esperado. O erro, longe de ser um retrocesso, é uma ferramenta de afinação. Ajustam-se dietas, corrigem-se sistemas de manutenção, repensam-se estratégias de seleção. É neste ciclo contínuo de observação-análise-correção que se constrói consistência.
Por outro lado, este crescimento também reforça a responsabilidade associada à partilha pública. Num contexto onde a informação circula rapidamente, torna-se essencial distinguir prática fundamentada de tentativa empírica não validada. Falar de nutrição, por exemplo, não se resume a indicar misturas ou suplementos, mas sim a compreender necessidades específicas em diferentes fases: preparação para reprodução, época de criação, desmame, muda e manutenção. Da mesma forma, abordar reprodução implica considerar fatores tais como: a compatibilidade dos casais, a adequação e período reprodutivos, condições ambientais controladas e a gestão de stress.
Existe também uma dimensão frequentemente subvalorizada: a estabilidade das linhagens ao longo do tempo. Trabalhar Lonchura's com critério implica resistir à tentação de resultados imediatos em detrimento da consistência genética. Fixar características, evitar regressões e manter vigor são desafios que só se ultrapassam com registo, disciplina e visão a longo prazo.
Este marco dos 1000 seguidores é, portanto, mais do que um ponto de celebração, é um lembrete de compromisso. Compromisso com as aves, garantindo bem-estar e condições adequadas. Compromisso com a prática, mantendo rigor técnico e espírito crítico. E compromisso com a comunidade, promovendo uma cultura de partilha responsável, onde o objetivo não é ap***s mostrar resultados, mas contribuir para a evolução coletiva da criação em Portugal que muito tem a evoluir e que não evolui, entre outras situações, devido à cultura do "orgulhosamente sós" que persiste em eternizar-se.
Obrigado por fazer parte deste caminho.
Projeto Lonchura’s - Lucas Mendes da Paz, 03/05/2026