Abrigo S. Francisco de Assis

Abrigo S. Francisco de Assis Abrigo dos cães felizes Caros candidatos, durante o processo de adoção, é possivel que lhe seja pedido o preenchimento de um questionário. Muito obrigada.

Os dados que fornece são completamente confidenciais e para uso exclusivo durante o processo de adoção. Os mesmos são eliminados após a triagem da adoção do animal que se encontra no nosso Abrigo. Atenção que poderá ocorrer a necessidade de visita ao domicílio.

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10/06/2026

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Ele já não vê o jornal. Mas todas as manhãs continua a ir buscá-lo.

O Bico vive connosco há muitos anos.

Às vezes parece-me que sempre esteve aqui. No corredor, na cozinha, junto à minha cadeira, perto da porta. Com os seus passos tranquilos, a sua respiração familiar e essa maneira tão sua de olhar, como se compreendesse muito mais do que nós dizíamos em voz alta.

Durante anos teve uma rotina que amava.

Todas as manhãs levantava-se antes de toda a gente e esperava junto à porta.

Ele sabia quando chegava o jornal.

Às vezes eu mal tinha aberto os olhos e o Bico já estava na entrada, movendo as patas com impaciência, como se quisesse dizer-me: «Vamos, já é hora».

Depois ouvia-se aquele som familiar.

O jornal caía junto ao alpendre.

E o Bico saía feliz.

Procurava-o, pegava nele com cuidado entre os dentes e trazia-o para casa com uma seriedade preciosa, como se aquela fosse a tarefa mais importante do mundo.

Eu dizia-lhe sempre a mesma coisa:

— Bom rapaz, Bico.

E ele f**ava tão orgulhoso, tão contente, que o meu coração transbordava.

Mas um dia começámos a notar que algo não estava bem.

Primeiro andava pela casa com mais cuidado. Depois tropeçava nas pernas das cadeiras. A seguir parava em frente aos degraus, inseguro, como se o mundo que antes conhecia de memória tivesse começado a mover-se.

O veterinário disse-nos que era glaucoma.

Fizemos tudo o que pudemos. Tratamentos, consultas, cuidados. Queríamos ganhar tempo. Queríamos que continuasse a ver a casa, as nossas caras, a porta, o caminho até ao alpendre.

Mas a doença avançou.

E um dia percebi que o Bico já não me via.

Chamei-o estando muito perto. Ele virou a cabeça para o lado errado. Depois ouviu a minha voz, caminhou devagar até mim e apoiou o focinho na minha mão.

Sorri para que não notasse nada.

Depois fui à casa de banho e chorei em silêncio.

Pensei que a partir desse momento tinha de o proteger de tudo. Dos degraus. Dos móveis. Do quintal. De qualquer coisa que pudesse assustá-lo ou fazê-lo cair.

Pensei também que já não devia ir buscar o jornal.

Disse a mim mesmo que essa etapa tinha terminado.

Que agora era a minha vez de o fazer por ele.

Na manhã seguinte, antes de eu poder decidir qualquer coisa, o Bico já estava junto à porta.

Velho.

Cego.

Com o focinho cinzento.

À espera.

Ficou ali, muito quieto, com a cabeça levantada, a ouvir a manhã. Eu olhava para ele e sentia o coração partir-se. Quis dizer-lhe que já não era preciso. Que não tinha de se esforçar. Que ninguém lhe ia tirar o amor só porque já não conseguia fazer o que fazia antes.

Mas ele deu um passo em direção à porta.

E eu abri-a.

O Bico saiu devagar. Pôs uma pata no alpendre, depois a outra. Parou. Farejou o ar. Moveu um pouco a cabeça, à procura de algo que os seus olhos já não conseguiam encontrar.

Eu estava ao seu lado, quase sem respirar.

Ele não via o caminho.

Mas lembrava-se dele.

Lembrava-se onde acabava o degrau. Lembrava-se para onde devia ir. Lembrava-se do cheiro do papel húmido, do frio da manhã e do lugar onde o jornal costumava cair.

Caminhou lentamente.

Parou várias vezes.

Hesitou.

Mas não voltou atrás.

E então encontrou-o.

Baixou a cabeça, pegou no jornal entre os dentes e voltou-se para mim.

O meu velho cão cego estava de pé junto ao alpendre com o jornal na boca.

Com a sua pequena tarefa cumprida.

Com a sua dignidade intacta.

E eu não me contive.

Sentei-me no degrau, abracei-o pelo pescoço e chorei contra o seu pelo. O Bico ficou quieto, paciente, como se desta vez fosse ele a cuidar de mim.

Desde então, nunca mais lhe tirámos essa manhã.

Agora tudo é mais lento. Às vezes demora mais a encontrar o jornal. Às vezes precisa que lhe fale baixinho para se orientar. Às vezes caminho perto dele para que saiba que estou ali.

Mas traz-o ele.

Todas as manhãs.

Deixa-o aos meus pés e espera.

E eu volto a dizer-lhe:

— Bom rapaz, Bico.

Ele já não pode ver a minha cara.

Mas ouve a minha voz.

E acho que isso lhe chega.

Às vezes penso que esse jornal deixou de ser apenas um jornal há muito tempo. Para o Bico é a sua rotina. A sua memória. A sua maneira de continuar a fazer parte desta casa. A sua forma de nos dizer: «Ainda estou aqui. Ainda sou vosso».

A velhice pode tirar muitas coisas.

Pode tirar a vista.

A força.

A segurança ao caminhar.

Mas nem sempre pode tirar o amor. Nem o desejo de se sentir útil. Nem essa necessidade tão simples e tão profunda de pertencer a alguém.

O Bico perdeu a vista.

Mas não se perdeu a si mesmo.

Ainda conhece o caminho até à porta.

Ainda sabe onde o esperam.

E todas as manhãs o meu velho cão cego não me traz apenas um jornal.

Lembra-me que, mesmo quando a vida nos tira muito, o amor ainda consegue encontrar o caminho de regresso a casa.

Se esta história tocou o teu coração, deixa um ❤️ e partilha-a. Talvez recorde a alguém que os animais mais velhos também sabem esperar, alegrar-se e sentir-se necessários até ao seu último dia.

Bom dia a todos.Sou a Chiquinha,fui recolhida com a minha mãe a cerca de seis meses, fomos deitadas fora como lixo num l...
09/06/2026

Bom dia a todos.
Sou a Chiquinha,fui recolhida com a minha mãe a cerca de seis meses, fomos deitadas fora como lixo num local ermo.
Eu tinha minha mão partida, fui operada e esterelizada, a minha mãe foi adotada eu tbm tinha adotante mas tive que esperar recuperar das cirurgias,a mãe Ana só entrega quando está tudo bem,o meu adotante desistiu, paciência,.
Sou muito mimócas, tenho por volta de um ano, 8 kg,procuro uma família que me queira dar o amor que mereço, já tive a minha conta de sofrimento. Obrigada a todos

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09/06/2026

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No dia em que fomos buscar o Bento ao canil, sabíamos que provavelmente o levávamos para os seus últimos meses de vida.

Era um cão muito idoso. Um cruzado de labrador com o focinho embranquecido, os olhos turvos, as articulações rígidas e o pelo cada vez mais ralo. No canil calculavam que teria à volta de quinze anos, talvez mais.

Tinha vivido mais de uma década com a mesma família, numa casa no Porto. Mas quando os donos precisaram de ir para um lar, nenhum familiar quis f**ar com ele. Deixaram-no no canil com um s**o de ração, alguns papéis e uma vida inteira que, de repente, tinha simplesmente desaparecido.

Na sua ficha estava escrito que dormia quase o dia todo, andava com dificuldade, não mostrava interesse pelos brinquedos e mal interagia com os outros cães. Uma voluntária disse, com tristeza, que provavelmente era um cão para lhe dar "uns últimos dias felizes".

Não esperávamos milagres. Queríamos apenas que um cão idoso não acabasse os seus dias atrás das grades de uma jaula. Queríamos que as suas últimas memórias fossem as de uma casa quente, uma cama confortável e mãos que o acarinhassem com carinho.

No primeiro dia, o Bento entrou em casa com muita cautela. Percorreu devagar os quartos, farejou cada canto e parou várias vezes para descansar. Tínhamos preparado tudo para ele: camas ortopédicas, tapetes antiderrapantes, tigelas de água em cada divisão e uma pequena rampa para a varanda.

Observou tudo com calma, acomodou-se na cama maior da sala e ficou a dormir durante quase doze horas.

Foi assim a primeira semana. Dormia, comia um pouco e voltava a dormir. Não estava doente. Estava exausto. Exausto pelas perdas, pela incerteza e por ter visto desaparecer a única vida que conhecia.

Mas na segunda semana, algo começou a mudar.

Primeiro foram pequenos sinais. O rabo começou a abanar com mais frequência. Começou a seguir-nos de um quarto para o outro. Dormia menos e observava mais, como se a vida fosse regrессando aos poucos dentro dele.

Um dia encontrei uma velha corda de brincar que tinha sido do nosso cão anterior. Estava gasta e desfiada. O Bento cheirou-a, agarrou-a com os dentes e levou-a para a sala.

A partir desse momento, tornou-se no seu maior tesouro.

Levava-a para todo o lado: para a cama, para a cozinha, para a varanda e até para o jardim. Se não a encontrava, f**ava agitado até alguém lha mostrar. Ver aquele velho cão caminhar orgulhoso com aquela corda na boca era impossível sem se emocionar.

Era o mesmo cão de quem todos diziam que já não tinha interesse por nada.

Depois chegaram as corridas no jardim. Um dia um gato saltou a cerca e o Bento foi a correr atrás dele. Não tão rápido quanto um cão jovem, mas com uma alegria que nos deixou sem palavras. Por alguns segundos parecia ter rejuvenescido vários anos.

A partir daí, cada saída para o jardim tornou-se numa pequena competição. Se eu apressava o passo, ele também. E, claro, estava sempre convencido de ter ganho.

Com o tempo, percebemos algo importante: o Bento não estava a apagar-se só por causa da idade.

Estava a apagar-se pela solidão.

Todos viam um cão velho que desistia. Mas na verdade era um cão em luto. Um cão que precisava de um lar, de uma rotina, de tranquilidade e de amor. De uma razão para voltar a querer viver.

Hoje o Bento continua a ser um cão idoso. Dorme muito, queixa-se ao levantar-se e caminha mais devagar do que antes. Mas também rouba petiscos quando ninguém está a ver, ladra ao estafeta como se estivesse a proteger um castelo e adormece todas as noites abraçado à sua velha corda, com o focinho branco apoiado nela.

O Bento está connosco há mais de dois anos.

Pensávamos que lhe ofereceríamos uns últimos dias tranquilos.

Mas descobrimos que ele ainda não tinha acabado de viver.

Às vezes, um coração envelhecido não precisa de compaixão. Precisa de uma razão para voltar a ter esperança.

E quando encontra essa razão, a vida pode surpreender a todos.

Se esta história tocou o teu coração, deixa um ❤️ e partilha-a com quem acredita que os cães mais velhos não merecem apenas sobreviver, mas continuar a viver e a ser amados.

08/06/2026

Poissss 💖!

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07/06/2026

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O cobertor azul

Fui ao abrigo com um plano muito claro. Queria um cão jovem. Talvez um cachorro. Talvez um cão de um ano. Alguém fácil, sem uma história pesada, sem dor nos olhos, sem um passado que depois também me doesse a mim.

Caminhava entre os canis, onde os cães jovens ladravam, saltavam e se esticavam em direção às pessoas. Estava quase a chegar à zona dos cachorros quando, de repente, parei.

No canil do fundo estava o Bobi. Um rafeiro grande, de seis anos. Tinha cicatrizes no focinho, uma orelha que caía de forma estranha e o focinho já começava a encher-se de grisalho. Não ladrava. Não saltava. Não pedia atenção. Só olhava as pessoas a passar.

Quando reparou que eu tinha parado, levantou-se de repente e correu para o fundo do canil. Pensei que se estava a afastar. Mas voltou com algo na boca.

Era um cobertor azul velho. Ou melhor, o que restava de um cobertor: um pedaço de tecido gasto, cheio de buracos, com as bordas desfiadas. O Bobi apertou-o com cuidado contra a grade e olhou para mim como se me estivesse a oferecer a coisa mais valiosa que tinha.

Sorri e perguntei à funcionária:

— Quer brincar?

Ela abanou a cabeça.

— Não. Faz isso com toda a gente. Não está a partilhar o cobertor. Ele acha que é a única coisa valiosa que lhe resta. Acha que, se o entregar, alguém finalmente o leva para casa.

Senti o coração apertar.

O Bobi tinha vivido quase cinco anos com uma família. Adotaram-no quando era cachorro. Cresceu com as crianças, dormia dentro de casa, ia com eles de férias. Mas depois a família mudou-se e decidiu que um cão grande já não era conveniente para eles. Deixaram-no no abrigo com um s**o de comida, uns papéis e esse cobertor.

O cobertor tinha estado com ele desde que era cachorro. Era o último pedaço da sua vida anterior.

Os primeiros dias, o Bobi quase não comia. Só arrastava o cobertor de um lado para o outro, dormia em cima dele e enterrava o focinho no tecido. Depois começou a levá-lo até à porta do canil sempre que chegavam visitantes. Não para brincar. Não para chamar a atenção. Era como se oferecesse às pessoas tudo o que tinha, só para que alguém voltasse a escolhê-lo.

Nesse momento aproximou-se uma família com crianças. O Bobi animou-se, pegou no cobertor e correu para a grade. Nos seus olhos voltou a aparecer a esperança. O homem olhou para a ficha do canil, depois para o Bobi, e disse:

— É melhor procurarmos um mais pequeno.

Foram-se embora.

O cobertor caiu da boca do Bobi. Não ladrou. Não gemeu. Simplesmente deitou-se no cimento e pousou a cabeça em cima dele. Aquilo não parecia raiva. Parecia hábito de ser rejeitado.

A funcionária disse-me que já estava à espera há oito meses.

Oito meses a levar todas as manhãs o seu velho cobertor até à grade e a esperar.

Olhei para a zona dos cachorros. Para onde eu pensava ir. Depois voltei a olhar para o Bobi. O seu focinho grisalho, as suas cicatrizes, o cobertor debaixo das patas.

E percebi algo: não estava a ver um cão difícil. Estava a ver um coração leal que um dia foi partido, mas que ainda tentava amar.

Agachei-me junto ao canil.

— Bobi, f**a com o teu cobertor. Já não tens de o entregar.

Ele levantou a cabeça e abanou o rabo com cuidado.

Olhei para a funcionária e disse:

— Levo-o.

Quando abriram a porta, o Bobi não saiu a correr. Primeiro pegou no cobertor. Depois aproximou-se de mim e ficou quieto, como se ainda esperasse que eu mudasse de ideias.

Pus-lhe a trela e sussurrei:

— Vamos para casa, rapaz.

Isso foi há três anos.

Agora o Bobi dorme a ocupar metade do sofá, ressona tão alto que parece sacudir a divisão e recebe cada manhã como se a vida voltasse a ser um presente. Tem muitos brinquedos, mas todas as noites continua a deitar-se com o seu velho cobertor azul.

Só que agora já não o oferece a ninguém.

Pousa a cabeça em cima dele e adormece tranquilo.

Porque já não precisa de comprar amor com a última coisa que lhe restava.

Fui ao abrigo à procura do cão mais fácil de amar. E encontrei um que me ensinou que o amor nem sempre parece simples. Às vezes chega com cicatrizes, com grisalho no focinho e um cobertor velho entre os dentes.

E mesmo assim torna-se a melhor decisão da tua vida.

Se esta história te tocou o coração, deixa um ❤️ e partilha-a com quem acredita que os cães com passado também merecem um futuro cheio de amor.

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