16/09/2026
Probiótico para paciente renal: faz sentido ou é só mais um suplemento?
Quando pensamos em doença renal, é comum lembrar imediatamente da creatinina e da ureia. Mas o que acontece com elas quando o rim deixa de funcionar adequadamente?
A ureia é produzida no organismo a partir do metabolismo das proteínas e normalmente é eliminada principalmente pelos rins. Quando a função renal está comprometida, sua excreção diminui e ela se acumula no sangue, assim como outros produtos do metabolismo. Em níveis clinicamente importantes, esse acúmulo contribui para a síndrome urêmica, responsável por diversas manifestações da doença renal.
E é justamente aí que o intestino começa a ficar interessante.
As bactérias da microbiota intestinal participam do metabolismo de compostos nitrogenados e da produção e transformação de substâncias que podem ser absorvidas pelo organismo. Por isso, existe uma área de estudo cada vez mais interessante envolvendo a chamada conexão intestino–rim.
Alguns probióticos e combinações de microrganismos têm sido estudados com o objetivo de modificar a microbiota e, consequentemente, interferir no metabolismo intestinal de compostos nitrogenados e na formação de determinados metabólitos urêmicos.
Mas atenção: probiótico não recupera um rim que perdeu função e não substitui nenhum dos pilares do tratamento da doença renal.
Ele pode, em situações específicas, ser utilizado como parte de uma estratégia terapêutica mais ampla, que deve considerar estágio da doença, alimentação, hidratação, pressão arterial, proteinúria, medicamentos e as características individuais de cada paciente.
Por isso, quando penso em probiótico para um paciente renal, a pergunta não é simplesmente “qual probiótico ele deve tomar?”.
É: esse paciente pode se beneficiar? E qual é o objetivo dentro do tratamento?
Suplemento não é tratamento por si só. Ele precisa fazer sentido dentro do conjunto. 🌿