12/12/2025
Hoje completo oito anos de formada em Veterinária e, quando olho pra trás, não vejo uma linha reta profissional. Vejo cicatrizes. Vejo noites mal dormidas, cheiros que grudam na pele, marcas de arranhão que nunca sumiram direito. Vejo também olhos, dezenas, centenas, me encarando como se eu fosse a última chance deles. E, de algum jeito estranho e visceral, isso sempre fez sentido pra mim.
Não celebro um diploma. Celebro ter sobrevivido ao que essa escolha faz com a gente. Celebro ainda sentir o estômago virar quando um animal chega mal. Celebro o nó na garganta que dá quando um gato finalmente aceita comer depois de dias lutando. Celebro o silêncio pesado que f**a quando não dá pra salvar, porque é nele que eu lembro o porquê de continuar.
Oito anos aprendendo que amor por animal não é fofura, é guerra diária. É sujar a roupa, tremer a mão, segurar a respiração e seguir mesmo assim. É saber que cada vida que encosta em mim carrega uma história inteira que eu só consigo entender com o olhar e com o toque.
E, mesmo depois de tudo, continuo aqui. Porque não existe outro lugar onde eu me reconheça tanto quanto ao lado de um bicho que precisa de mim. Porque, por mais que doa, por mais que pese, nada no mundo me faz sentir tão viva quanto essa profissão que escolhi ou que me escolheu.
Oito anos. E o amor continua bruto, profundo, incômodo e absolutamente meu.