22/09/2026
A história do Benê me lembrou, mais uma vez, por que escolhi ser médica veterinária.
A responsável, Maria, me procurou em um momento de dor. Benê havia sido diagnosticado com cinomose por exames laboratoriais e apresentava crises convulsivas. Assustada, ela iniciou uma saga em busca de ajuda e, infelizmente, encontrou inicialmente profissionais que indicaram a eutanásia.
Em uma primeira tentativa, disseram que levariam Benê para realizar o procedimento, mas Maria não permitiu. Ela queria estar presente e acompanhar seu companheirinho até o fim. Em outra, o valor cobrado foi tão alto que ela desistiu. Foi então que alguém me indicou.
Ao ouvir toda a história, pensei: será que realmente não havia nada a ser feito?
Ao avaliar Benê, entendi que, antes de uma decisão definitiva e irreversível, ainda havia espaço para tratamento. As convulsões poderiam ser controladas com medicações e cuidados de suporte. Foi então que fui até sua casa, não para realizar uma eutanásia, mas para avaliar, conversar e dar ao Benê uma oportunidade.
E nós demos essa oportunidade. 💖
Hoje, depois de receber o áudio emocionante da Maria contando sobre sua evolução, meu coração ficou em paz. Porque, às vezes, por trás de um diagnóstico assustador, existe um tutor desesperado precisando de orientação, acolhimento e de um profissional disposto a olhar além do diagnóstico.
Isso não significa prolongar o sofrimento a qualquer custo. A eutanásia é um ato de amor quando realmente indicada e quando não há mais qualidade de vida. Mas é uma decisão definitiva e, por isso, merece responsabilidade, critério e conhecimento.
Cada paciente é único. Cada vida importa. Antes de desistirmos, precisamos perguntar: avaliamos todas as possibilidades? Orientamos corretamente? Oferecemos ao tutor todas as opções?
Como médica veterinária, acredito que nossa profissão precisa ser guiada por ciência, ética, responsabilidade e amor pela vida.
A história do Benê e do seu irmãozinho, Apolo, é mais do que uma história de recuperação. É um lembrete de que, muitas vezes, o que um tutor mais precisa é de alguém que pare, escute, avalie e diga: