18/09/2026
Mima. Ou, para a família, Naninha. 🤍
A vida tem dessas coisas que a gente tenta evitar, mas que, de alguma forma, encontra o nosso caminho.
Por muito tempo, a medicina clínica e cirúrgica me colocava diante de situações que me abalavam profundamente. Internações, longas batalhas, pacientes que lutávamos tanto para salvar e, mesmo assim, precisávamos aceitar que era hora de deixá-los partir. A eutanásia, especialmente, sempre foi uma das partes mais difíceis para mim. Porque eu sinto. Sinto o animal, sinto a família, sinto o vínculo… e, para mim, eles nunca foram apenas pacientes. São parte de uma família.
Foi por isso que escolhi seguir outro caminho dentro da Medicina Veterinária: a prevenção, a fisioterapia, a acupuntura, o cuidado antes que a doença chegue ao limite. Escolhi uma medicina que me permitisse devolver movimento, conforto, autonomia e qualidade de vida.
Mas talvez eu tenha descoberto que algumas missões não são escolhidas pela gente. Elas encontram a gente.
E é assim que a Naninha chegou até mim.
Aos 17 anos, ela está vivendo seus últimos momentos com todo o cuidado, carinho e respeito que merece. Desde ontem, estamos oferecendo suporte, conforto e, principalmente, tempo. Tempo para que ela possa descansar aos poucos. Tempo para que sua família compreenda, com amor, que talvez esteja chegando o momento de deixá-la partir.
E isso mexe muito comigo.
Porque, por mais que eu tente me afastar dessa parte da profissão, algumas famílias me procuram justamente nesses momentos. Talvez pela minha forma de cuidar. Talvez pela confiança no meu trabalho. Talvez porque percebam que, quando chega a hora mais difícil, eu não vou olhar somente para a doença — vou olhar para o animal e para quem o ama.
Hoje eu entendo que ser uma veterinária humana também é isso.
Nem sempre podemos curar.
Nem sempre podemos prolongar.
Mas podemos cuidar. Podemos aliviar. Podemos acolher. Podemos respeitar o tempo de cada vida.
E, quando chegar a hora da Naninha, que seja tranquila, cercada pelo amor de quem caminhou com ela por 17 anos.
Talvez essa também seja uma forma de exercer a Medicina Veterinária: ajudar uma vida a partir com o mesmo amor e dignidade com que foi