14/09/2026
Durante décadas, a medicina veterinária hospitalar se acostumou a funcionar em uma lógica quase artesanal. Plantonistas trocando mensagens em grupos de WhatsApp, profissionais buscando rapidamente uma referência no Google durante uma emergência, imagens sendo compartilhadas informalmente entre colegas e discussões clínicas acontecendo fora do ambiente institucional dos hospitais.
O modelo sempre funcionou, até que a complexidade dos atendimentos, o volume de informações e a velocidade das decisões começaram a crescer mais rápido do que a capacidade humana de organizar tudo isso.
Agora, um movimento silencioso começa a surgir dentro da veterinária brasileira: o uso estruturado de inteligência artificial como suporte técnico e operacional em plantões hospitalares. Mas, diferente do que muitos imaginam, o impacto não parece estar apenas na automação. “Hoje praticamente todo mundo usa algum tipo de inteligência artificial, busca no Google ou consulta grupos paralelos durante os atendimentos. O problema é que ninguém está discutindo o tamanho do risco operacional e jurídico disso para os hospitais”, explica o médico-veterinário intensivista Rodrigo Rabelo. Ainda segundo ele, clínicas e hospitais passaram a conviver com um fenômeno pouco percebido: uma parte importante do raciocínio clínico, das decisões médicas, dos exames, das imagens e até das discussões estratégicas começou a sair do ambiente protegido das instituições e migrar para plataformas externas sem qualquer governança técnica ou jurídica.
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