12/08/2022
Você sabia que agosto é o mês dedicado à conscientização da prevenção da Leishmaniose Vísceral (LV)?
Pois bem, vamos lá...
A Leishmaniose, também conhecida pelo nome ''calazar'', é uma doença zoonótica imunomediada crônica severa. Causada pelo protozoário Leishmania chagasi (ou L. infantum), da família Trypanosomatidae.
Possui maior taxa de morbidade (contaminação) e mortalidade (óbitos) em cães do que no homem. Acredita-se que esse fato esteja relacionado à maior quantidade de parasitas na pele dos cães, favorecendo a infestação por vetores (mosquitos). Nos seres humanos, a resposta imune é mais eficaz, portanto, a chance de contrair a doença é maior em crianças, idosos e adultos imunodeficientes, devido ao sistema imunológico enfraquecido.
É transmitida para o homem e outros mamíferos através do repasto sanguíneo (picada) de mosquitos flebotomíneos (fêmea) dos gêneros Phlebotomus e Lutzomyia, sendo a Lutzomyia longipalpis (popularmente conhecido como mosquito-palha ou mosquito-pólvora) a principal espécie transmissora da LV no Brasil.
Após a contaminação, os sintomas podem demorar de 3 a 7 meses para surgirem nos cães e 2 a 6 meses nos humanos. Após esse período, surgem os sintomas, no caso de paciente sintomáticos.
Os sinais clínicos são variáveis e dependem da resposta imune do hospedeiro infectado, podendo estes serem sintomáticos, assintomáticos ou oligossintomáticos. É válido lembrar que os infectados assintomáticos são um aspecto relevante para a saúde pública, visto que, servem de reservatórios e fontes de infecção para outros animais e pessoas.
Os sinais clínicos gerais incluem: hipertermia (febre), rinite, aumento dos ruídos pulmonares, icterícia, articulações doloridas e inchadas, uveíte e conjuntivite, perda de peso, poliúria, polidipsia, vômito, diarreia, epistaxes e melena.
É muito comum surgirem alterações dermatológicas também, sendo as principais: dermatite, alopecia, hiperqueratose, descamação, espessamento da pele, petéquias e onicogrifose.
Devido ao fato da Leishmaniose ser uma zoonose, as medidas preventivas são divididas em:
➡️Proteção individual (humanos):
- Uso de repelentes em locais que possuem muitos mosquitos
- Uso de telas de malha fina em portas com acesso externo e janelas em regiões endêmicas
- Evitar se expor nos horários de atividade do vetor - mosquito (crepúsculo e noite)
➡️Proteção dos cães (evitar a contaminação):
- Uso de coleiras impregnadas com Deltametrina a 4%
- Manejo de cães errantes (em situação de rua) e estímulo da posse responsável
- Canis telados com malha fina que evite o acesso de insetos/mosquitos
➡️ Manejo ambiental (eliminação dos vetores):
- Limpeza de quintais, terrenos e praças públicas (remoção de folhas e galhos)
- Eliminação de resíduos sólidos orgânicos e acondicionamento adequado deste lixo
- Evitar sombreamento excessivo em locais abertos
- Eliminar fontes de umidade
Proteja-se e proteja o seu melhor amigo! 💚
Se desconfiar que o seu animal esteja contaminado, consulte um médico veterinário. Se você é da região de Campinas-SP, entre e contato e agende uma consulta comigo!
Dra. Amanda Fernandes
Medicina Veterinária Preventiva
CRMV-SP 58.831amandafernandes