07/08/2026
O problema não é o animal e nem o tutor.
Muitos profissionais que trabalham com animais relatam que procuraram a carreira porque têm dificuldade de lidar com pessoas.
E eu super entendo - ainda mais sendo uma pessoa autista.
Eu ouço muito a frase: "o problema nunca é o animal, é sempre o tutor".
O que evidencia um defeito grosseiro da nossa classe: nós temos facilidade em ser empáticos com animais não-humanos, mas nem tanto com seus responsáveis humanos.
Num sistema meritocrático, rapidamente criamos narrativas sobre como as pessoas não se esforçam ou não se importam com os animais. Em alguns casos, essa indignação é até justificável.
Porém, pouco refletimos sobre todas as questões sistêmicas que impactam esses responsáveis e suas possibilidades reais de oferecer cuidado: carga horária de trabalho (inclusive o não-remunerado!), acesso à saúde, emprego e moradia dignos, raça, classe, gênero, trauma e outras questões de saúde mental, deficiência e neurodivergências...
Unindo tudo isso com o pleno abandono da causa animal pelo poder público, e toda a realidade do sistema de ONGs e abrigos que conhecemos, a análise anterior não parece um pouco simplista?
Me diz nos comentários: você consegue pensar em um caso onde claramente a família fazia o melhor pelo seu animal, apesar das adiversidades e dificuldades estruturais?