30/09/2026
Para minha Princesa, minha Prin.
Hoje eu precisei me despedir de você.
E talvez uma das coisas mais difíceis seja tentar colocar em palavras tudo o que você significou para mim durante todos esses anos.
Eu não fui buscá-la na rua.
Foi você quem me encontrou.
Em 2015, tínhamos acabado de abrir a clínica, e um dia você simplesmente entrou no jardim da frente. Chegou quietinha, como quem não queria muito… mas acabou ficando. E eu nem imaginava que, naquela barriga crescendo, você carregava uma surpresa: você estava prenha.
Foram tantos filhotinhos… nove ou dez, já nem me lembro ao certo. Todos encontraram suas famílias, foram doados e seguiram suas vidas.
E você ficou.
Ainda bem que ficou.
Você se tornou minha companheira. Onde eu estava, você estava também. Você não precisava de convite. Simplesmente vinha.
Você era a dona do meu quarto.
Tinha sua caminha, sua vasilhinha de comida e o seu lugar, que você defendia como se fosse um tesouro. E ai de quem tentasse me tirar de perto de você… Você era mansinha, carinhosa, doce. Mas, se alguém tentasse afastá-la de mim, você mordia.
Você tinha ciúmes de mim.
E talvez esse tenha sido um dos jeitos mais bonitos que você encontrou para me dizer que eu era sua pessoa, o seu lugar no mundo.
Mas a sua vida também teve muita dor.
Muito cedo você começou a mancar, por causa daquela alteração na coluna cervical. Depois veio a artrose, que foi tomando conta de todas as suas articulações. Vieram as dificuldades para andar, os dias ruins, as dores que eu sabia que você sentia mesmo quando tentava continuar.
E eu, como veterinária, sabia exatamente o que estava acontecendo.
Mas, como sua mãe, muitas vezes eu só queria que você não sentisse nada.
Há cerca de um ano, quando senti aquele primeiro bafinho urêmico, eu achei que estava chegando a hora de você partir. Talvez, de alguma maneira, você já estivesse me preparando.
Mas você melhorou. E nós ganhamos mais um tempo juntas.
Mais dias.
Mais momentos.
Mais companhia.
Até que a doença renal voltou ainda mais forte.
E hoje chegou o dia que eu mais temia.
(Continua nos comentários)